BELÉM – Povão sob novo assalto ao bolso: tarifa de ônibus ameaça chegar a R$ 5,85

Mais uma vez, a população mais carente de Belém é penalizada com a tentativa de aumentar a tarifa de ônibus. O reajuste proposto é um verdadeiro escárnio contra quem já sofre diariamente com um transporte coletivo precário, sucateado e indigno. Enquanto os usuários seguem espremidos em ônibus velhos, sujos e que quebram a todo momento, os grandes empresários do setor pressionam para encher ainda mais seus cofres.

A proposta de aumento varia entre 38,5% e 46,25%, com a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) sugerindo R$ 5,54 e o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano (Setransbel) exigindo R$ 5,85. Um verdadeiro assalto institucionalizado ao bolso do povo. Desde 2022, a tarifa em vigor é de R$ 4,00.

“Esse reajuste é um absurdo, um brutal redutor na renda da maioria das famílias que sequer recebem um salário mínimo por mês”, denuncia Silvia Leticia, ex-vereadora, professora e dirigente do Sintepp Belém. Ela criticou duramente os incentivos fiscais para a compra de ônibus com ar-condicionado — que nunca foram vistos rodando na cidade — e chamou a bilhetagem eletrônica de um “presente” da gestão anterior aos empresários.

“Não vamos aceitar deixar parte de nossos salários dentro de ônibus velhos, calorentos e sem manutenção”, completou Silvia, anunciando que o Sintepp questionará o Ministério Público sobre essa arbitrariedade.

A Segbel informou que os cálculos e planilhas que justificam a tarifa de R$ 5,54 serão apresentados na reunião do Conselho Municipal de Transportes. Já o Setransbel segue alegando que precisa do aumento para manter o “equilíbrio financeiro” — um argumento repetitivo que nunca se traduz em melhorias reais para os usuários do serviço.

O Dieese critica duramente as propostas, afirmando que ignoram o poder aquisitivo da população. Caso a tarifa da Segbel seja aprovada, o gasto mensal com transporte para quem usa duas passagens por dia e não tem vale-transporte subirá para R$ 265,9217,52% do salário mínimo!.

Diante dessa tentativa de espoliar ainda mais a população, entidades sindicais do funcionalismo municipal prometem recorrer à justiça, classificando o reajuste como uma afronta.

O prefeito Igor Normando (MDB) precisará decidir de que lado está: com a população trabalhadora que depende do transporte público ou com os barões do setor que lucram às custas do sofrimento de centenas de milhares de usuários.

“O povo de Belém não aceitará mais uma traição em nome de acordos políticos escusos”, avisou José Luiz Galhardo, que se classifica como “passageiro desrespeitado” no transporte coletivo da cidade.

Também é cobrada posição de uma tal entidade dos usuários, com assento nas reuniões da prefeitura a cada tentativa de reajuste da tarifa. Essa entidade é vista como “zero à esquerda”, pois nada faz, aderindo a acordos por debaixo dos panos.

Está na hora de mostrar a quem serve.

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