Leilão da BR-364: consórcio assume trecho da rodovia; saiba o que muda e os valores do pedágio

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O Consórcio 4UM-Opportunity venceu, nesta quinta-feira (27), o leilão de concessão da BR-364, trecho que liga Porto Velho, capital de Rondônia, a Vilhena, na divisa com o Mato Grosso.

A empresa foi a única concorrente do certame, realizado na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo).

Este foi o primeiro leilão de uma rodovia federal na região Norte do país, marcando um passo importante para a infraestrutura logística da região.

O evento contou com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho, e teve como critério a oferta do maior desconto sobre a tarifa de pedágio. O consórcio vencedor ofereceu um desconto de 0,05% na tarifa.

Na última quarta-feira (27), um dia antes do leilão, um grupo de indígenas bloqueou temporariamente a BR-364, no km 224, em Cacoal (RO), em forma de protesto contra a privatização da rodovia.

O leilão de concessão do trecho da rodovia aconteceu nesta quinta-feira (27) – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Rota estratégica para o agronegócio

O trecho concedido possui 686,70 quilômetros de extensão e é conhecido como Rota Agro Norte, abrangendo desde o entroncamento com a BR-435 até a BR-319, com acessos estratégicos em Ji-Paraná e Porto Velho.

A rodovia desempenha um papel fundamental no escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste para os portos da região Norte, facilitando a exportação e reduzindo custos logísticos para o setor agropecuário.

Investimentos bilionários

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o projeto prevê um investimento total superior a R$ 10,23 bilhões.

Desse montante, R$ 6,35 bilhões serão destinados a obras de duplicação, adequação e melhorias estruturais de longo prazo.

Outros R$ 3,88 bilhões serão aplicados em despesas operacionais para a manutenção da rodovia.

Inicialmente, o projeto previa a duplicação de 700 quilômetros da BR-364, mas essa meta foi reduzida para apenas 120 quilômetros.

Entre as melhorias previstas, destacam-se a ampliação da capacidade viária, a implantação de acostamentos e a construção de dispositivos de segurança para reduzir acidentes.

A expectativa é que essas mudanças impulsionem a economia regional e tragam maior eficiência ao transporte de cargas e passageiros.

Polêmica: pedágio elevado e obras adiadas

Um dos pontos mais controversos da concessão da BR-364 é a instalação de sete praças de pedágio ao longo do trecho entre Porto Velho e Vilhena.

Para automóveis, o valor total estimado para percorrer a rodovia pode ser de R$ 99,25, no entanto, sem confirmação do valor oficial.

Contudo, veículos de carga, como carretas e caminhões, pagarão tarifas ainda mais altas devido ao maior impacto sobre a estrada.

A principal crítica é que a cobrança dos pedágios começará antes da realização das obras de duplicação e melhorias.

Segundo o contrato, as intervenções na infraestrutura da rodovia só terão início quatro anos após o começo da cobrança, o que tem gerado insatisfação entre caminhoneiros, moradores e representantes políticos.

O deputado estadual Cirone Deiro (União Brasil) alertou para o impacto econômico da medida, especialmente para os transportadores de carga.

“Com base em valores cobrados em outros estados, um caminhão de nove eixos vai gastar em torno de R$ 2 mil a mais por viagem nesse trecho, chegando a R$ 20 mil de custo com pedágio em cinco viagens mensais”, afirmou.

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