Asteroide que poderia colidir com a Terra é gravado voando no espaço – veja vídeo

Com cerca de 55 metros de largura (mais ou menos o tamanho de um prédio de 18 andares), o asteroide 2024 YR4 foi descoberto no fim do ano passado como uma ameaça de colisão com a Terra em 2032. Inicialmente, a chance era de 1,2%, chegando a ultrapassar 3% – a maior probabilidade já registrada para um objeto desse porte. No entanto, novas observações reduziram essa possibilidade para 0,001%, o que praticamente elimina o risco.

Astrônomos de diversas partes do mundo seguem monitorando o corpo celeste. Entre os telescópios usados está o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile. Na última quinta-feira (20), o equipamento registrou novas imagens do asteroide, fundamentais para recalcular sua trajetória.

Com dados mais precisos, os cientistas conseguiram refinar o modelo da órbita da rocha espacial e reavaliar suas chances de impacto. O novo cálculo confirma que o risco está quase zerado. Esse monitoramento contínuo é essencial para entender o comportamento de asteroides potencialmente perigosos.

Vamos relembrar esta história: 

  • O asteroide 2024 YR4 foi descoberto em 27 de dezembro de 2024 pelo Sistema de Último Alerta para Impacto de Asteroides com a Terra (ATLAS, na sigla em inglês);
  • Logo após a detecção do objeto, análises determinaram que ele tinha uma chance muito pequena de impactar o planeta em 22 de dezembro de 2032; 
  • Normalmente, a probabilidade de impacto de um asteroide é maior no início e tende a cair rapidamente para zero após observações adicionais; 
  • Desta vez, no entanto, as chances começaram em 1,2% e foram gradativamente subindo, até quase triplicarem; 
  • Agora, o risco está estimado em 0.0011%, o que é praticamente zero. 

De acordo com Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, essa redução das possibilidades de impacto já era esperada entre os cientistas. “A expectativa era que até o final de março fossem afastadas todas as chances de que esse asteroide pudesse atingir a Terra”.

Com os dados disponíveis, os cientistas praticamente descartam qualquer chance de colisão em 2032. O que falta definir agora é a distância exata da passagem do asteroide pela Terra.

Embora pequenas variações ainda possam ocorrer nos cálculos, Zurita reforça que não há motivo para preocupação. “O risco pode oscilar um pouco, mas nada que volte a assustar. Estamos definitivamente a salvo desse asteroide”, afirma o especialista.

Órbita do asteroide 2024 YR24, em vermelho, enquanto ele viaja perto da Terra em 22 de dezembro de 2032. Crédito: AEE/ESO

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Monitoramento do asteroide tem sido mais difícil

O rastreamento do asteroide 2024 YR4 está ficando cada vez mais difícil. De acordo com o site EarthSky.org, o brilho do objeto está diminuindo, tornando as observações mais complicadas. Dentro de um mês, ele ficará invisível para os telescópios e só poderá ser observado novamente em 2028.

As imagens capturadas pelo VLT foram cruciais para refinar os cálculos da trajetória do asteroide. O telescópio, localizado a 2.635 metros de altitude no deserto do Atacama, no Chile, possui tecnologia avançada para captar objetos muito fracos e distantes.

O asteroide 2024 YR4 tem entre 40 e 100 metros, de acordo com as estimativas. Crédito: Asteroid Day Brasil

No entanto, o futuro do VLT pode estar ameaçado por um projeto de energia renovável planejado nas proximidades. A empresa AES Andes quer construir uma instalação de hidrogênio verde a apenas 11 km do observatório. Cientistas alertam que a poluição luminosa da usina pode prejudicar a qualidade das observações astronômicas.

“O céu mais brilhante faria com que perdêssemos de vista o 2024 YR4 cerca de um mês antes, o que prejudicaria nossa capacidade de prever impactos e tomar medidas de proteção”, explica Olivier Hainaut, astrônomo do ESO.

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