Ficar sem dormir aumenta risco de obesidade, sugere estudo

Uma única noite de privação de sono é suficiente para desregular o sistema imunológico e, a longo prazo, favorecer o desenvolvimento de doenças como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Dasman Diabetes Institute, no Kuwait, e publicada no periódico científico The Journal of Immunology.

De maneira geral, os pesquisadores descobriram que a ausência do repouso noturno altera o perfil das células imunes de indivíduos jovens, magros e saudáveis, tornando-as semelhantes a de indivíduos com obesidade.

Isso sugere que o sistema imunológico é altamente sensível ao sono e pode se adaptar rapidamente a mudanças no padrão de descanso. Se a privação persistir, maiores serão os estados inflamatórios de longo prazo, aumentando o risco de doenças.

Pesquisadores estudaram efeito do sono nas células imunes circulantes (Imagem: Andrii Lysenko/iStock)

Os pesquisadores afirmam que já há evidências substanciais sobre a relação entre distúrbios do sono e doenças crônicas. Mas eles ponderam que são necessários mais estudos sobre a influência direta do sono nas células imunes circulantes, como monócitos.

Essas células atuam na primeira linha de defesa do corpo ao detectar patógenos para iniciar a resposta imunológica, sendo divididas em três categorias: monócitos clássicos, intermediários e não clássicos.

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Corpo sem descanso fica sujeito a processos inflamatórios (Imagem: Prostock-Studio/iStock)

Como foi feito o estudo?

  • Foram analisados os padrões de sono de 237 participantes adultos saudáveis ​​com IMC variado;
  • Pesquisadores coletaram amostras de sangue para traçar o perfil dos níveis de diferentes monócitos, bem como marcadores de inflamação;
  • Eles descobriram que indivíduos obesos tinham qualidade de sono significativamente menor e maior inflamação crônica de baixo grau em comparação ao grupo magro;
  • Monócitos não clássicos (que ajudam a manter e regular a resposta imunológica) também aumentaram significativamente em participantes obesos.

“Nossas descobertas ressaltam um crescente desafio de saúde pública. Avanços na tecnologia, tempo prolongado em frente às telas e mudanças nas normas sociais estão cada vez mais interrompendo as horas regulares de sono. Essa interrupção no sono tem implicações profundas para a saúde imunológica e o bem-estar geral”, afirmou a Dra. Fatema Al-Rashed, que liderou o estudo.

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