Sonda da NASA que vai examinar água na Lua pega carona em foguete da SpaceX

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, um foguete Falcon 9, da SpaceX, lançou ao espaço uma missão compartilhada contendo importantes iniciativas científicas. Uma delas é a sonda Lunar Trailblazer, desenvolvida pela NASA para mapear a distribuição da água na Lua. 

O lançamento ocorreu na noite de quarta-feira (27) a partir do Centro Espacial Kennedy, da agência, na Flórida. Também fazem parte da carga útil o módulo lunar comercial Athena, da empresa Intuitive Machines, e o minerador de asteroides Odin, da Astroforge.

Em poucas palavras:

  • A existência de água na Lua foi confirmada em 2009, mas sua forma exata ainda não é totalmente compreendida;
  • Um sensor instalado na sonda Lunar Trailblazer permitirá diferenciar gelo, água adsorvida e hidroxila na superfície lunar;
  • Ao longo de dois anos, a missão também analisará crateras sombreadas e medirá a temperatura da superfície para entender o comportamento da água.

Enquanto o Athena pousará na Lua para estudar um ponto específico, o Lunar Trailblazer coletará dados globais sobre a presença de água no satélite natural. A sonda investigará onde e em que forma a água está presente, algo essencial para futuras missões tripuladas.

Sonda vai levar quatro meses para chegar à Lua

Pouco depois do lançamento, as espaçonaves tomaram rumos diferentes. O Athena seguirá diretamente para a Lua, com pouso previsto para a próxima quinta-feira (6). Já o Lunar Trailblazer seguirá uma trajetória mais longa, com baixo consumo de combustível, chegando à órbita lunar em quatro meses, para uma missão de pelo menos dois anos.

Um dos focos do estudo é entender se a água nas regiões iluminadas pelo Sol muda ao longo do dia. “Você pode imaginar isso como uma geada que aparece e desaparece”, explicou Bethany Ehlmann, cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia e líder da missão, ao jornal The New York Times.

A sonda Lunar Trailblazer antes de ser encapsulada para ser lançada à Lua. Crédito: Lockheed Martin

Por muito tempo, acreditava-se que a Lua não tinha água. No entanto, na década de 1990, sondas espaciais detectaram sinais de gelo em crateras sombreadas nos polos lunares. Em 2009, a NASA confirmou a presença de água ao colidir um estágio de foguete contra uma cratera e analisar os detritos levantados pelo impacto.

Nesse mesmo ano, uma descoberta inesperada revelou sinais de água em toda a superfície lunar. A evidência veio do orbitador Chandrayaan-1, da Índia, que transportava um instrumento da NASA capaz de analisar a luz refletida da superfície da Lua.

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Se a água estiver amplamente distribuída, futuras missões poderiam aproveitá-la para abastecimento. O recurso poderia ser separado em oxigênio, essencial para a respiração dos astronautas, e hidrogênio, que pode ser usado como combustível para foguetes e geração de energia.

No entanto, o instrumento do Chandrayaan-1 não conseguia identificar exatamente como a água estava organizada. As moléculas poderiam estar na forma de gelo, adsorvidas em minerais ou até mesmo ligadas a hidroxila, um grupo molecular que exigiria temperaturas extremamente altas para ser transformado em água utilizável.

Para resolver essa dúvida, o Lunar Trailblazer carrega um sensor mais avançado, desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA. Ele será capaz de diferenciar gelo, água adsorvida e hidroxila, permitindo um estudo mais detalhado da composição da superfície lunar.

Evidências de áreas ricas em hidrogênio perto do polo sul da Lua são crescentes, sugerindo fortemente a presença de água congelada, mesmo em regiões que nunca recebem a luz do Sol. Crédito: NASA

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A sonda também poderá analisar crateras sombreadas, onde a luz do Sol reflete indiretamente, permitindo observações mesmo em áreas de baixa iluminação. “Isso é o mais empolgante”, disse Ehlmann. “É como um duplo reflexo de luz”.

Outro equipamento a bordo, construído pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, medirá a temperatura da superfície. Combinando esses dados com as informações sobre a presença de água, cientistas poderão compreender melhor o comportamento da substância na Lua.

O Lunar Trailblazer faz parte do programa SIMPLEX, da NASA, que busca desenvolver missões científicas robóticas de baixo custo e maior risco. O projeto custou US$94 milhões, mas o lançamento foi mais barato: pegando “carona” como carga secundária na missão da Intuitive Machines, a agência norte-americana gastou apenas US$8 milhões para enviá-lo ao espaço.

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