Trump bate boca com Zelensky: veja repercussão na imprensa internacional


Presidente dos EUA confirmou que líder ucraniano assinará acordo sobre exploração de minerais nesta sexta-feira (28). Trump e Zelensky trocam farpas no salão oval
O presidente dos EUA, Donald Trump, bateu boca com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em encontro dos dois na Casa Branca nesta sexta-feira (28). Trump chamou Zelensky de desrespeitoso com os EUA e afirmou que o ucraniano “não está no direito de ditar nada”.
A reunião terminou com Trump dizendo a Zelensky que ele não estava sendo “grato o suficiente” e que isso iria “render uma ótima cena na TV”.
A fala ocorreu antes da assinatura de um acordo de exploração de terras raras na Ucrânia, que será assinado nesta sexta-feira, segundo Trump.
Essas terras, espalhadas pelo território ucraniano, mas em alta concentração no leste do país, são ricas em minerais raros, e o lucro dessa exploração irá aos EUA em troca de segurança americana contra a Rússia.
O assunto está sendo repercutido pela imprensa internacional. Veja a seguir.
The New York Times, Estados Unidos
O jornal The New York Times escreveu que a reunião entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky na Casa Branca se transformou em uma disputa de gritos, com Trump acusando Zelensky de ingratidão pelo apoio militar dos EUA e exigindo que ele aceitasse um acordo de paz nos termos americanos.
“O presidente Trump e o vice-presidente JD Vance atacaram publicamente o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em um acalorado confronto transmitido ao vivo nesta sexta-feira. O embate, marcado por gritos, foi um dos mais intensos já vistos no Salão Oval entre um presidente dos EUA e um líder estrangeiro em tempos recentes”.
O jornal também ressaltou que o presidente ucraniano deixou a Casa Branca sem assinar o tratado envolvendo minerais estratégicos.
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Capa do jornal The New York Times nesta sexta (28).
Reprodução
The Washington Post, Estados Unidos
O jornal The Washington Post destacou que a reunião entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky na Casa Branca se transformou em uma “disputa acalorada”, rompendo com a formalidade típica do Salão Oval.
Segundo a reportagem, os dois líderes chegaram a levantar a voz um para o outro.
Em uma atualização ao vivo, o jornal informou também que Trump cancelou uma coletiva de imprensa que estava prevista e pediu que Zelensky deixasse a Casa Branca. The Guardian, Reino Unido
“O líder ucraniano foi a Washington para impedir que Trump abandonasse Kiev em favor de Moscou três anos após o início da guerra da Rússia contra seu país, mas foi recebido com raiva vocal pelo presidente americano”, destacou.
Capa do jornal Washington Post nesta sexta (28).
Reprodução
La Nación, Argentina
O jornal La Nación também descreveu a situção como um “escândalo inédito na Casa Branca”, com acusações, gritos e troca de cobranças entre Trump e Zelensky.
De acordo com a reportagem, houve um forte embate de opiniões, com Trump e Zelensky elevando o tom de voz, o que rompeu o protocolo habitual de encontros presidenciais.
Ainda segundo La Nación, o desentendimento teria afetado o andamento de acordos e culminado em uma crise diplomática entre os dois países.
Capa do jornal La Nacion nesta sexta (28).
Reprodução
El País, Espanha
A reportagem do El País destacou que o encontro entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky foi extremamente tenso, a ponto de o jornal afirmar que “Trump humilhou Zelensky” na Casa Branca.
O jornal destacou que Trump levantou a voz contra o líder ucraniano, acusando-o de ser “irrespeitoso” e afirmou que Zelensky estaria “brincando com a terceira guerra mundial”.
Capa do jornal El País nesta sexta (28).
Reprodução
Como foi o bate boca
Numa cena entre rara dois líderes mundiais, o presidente dos EUA, Donald Trump, bateu boca e aumentou o tom de voz com Volodymyr Zelensky em encontro dos dois na Casa Branca nesta sexta-feira (28), dizendo que o presidente da Ucrânia está jogando com o risco de uma “Terceira Guerra Mundial”.
Em uma reunião transmitida ao vivo, e diante da imprensa, Trump pressionou Zelensky a aceitar um acordo para encerrar a guerra da Ucrânia, iniciada em 2022, depois de a Rússia invadir o território ucraniano.
Os EUA eram aliados da Ucrânia durante o governo Biden; quando Trump assumiu, se aproximou do presidente Vladimir Putin, da Rússia, e tenta fazer um acordo para encerrar a guerra excluindo a Ucrânia.
O bate-boca começou nos últimos 10 minutos, dos 45 minutos em que os dois se encontraram no salão oval da Casa Branca. Zelensky se mostrou desconfiado quanto ao compromisso de Putin de encerrar a guerra. Ele chamou Putin de “assassino”.
O vice-presidente americano JD Vance disse: “Senhor Presidente, com todo o respeito. Acho desrespeitoso da sua parte vir ao Salão Oval e tentar debater isso diante da mídia americana”. Quando Zelensky tentou responder, Trump levantou a voz:
“Você está apostando com a vida de milhões de pessoas. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial, e o que você está fazendo é muito desrespeitoso com este país, um país que te apoiou muito mais do que muitos disseram que deveria”, afirmou Trump a Zelensky.
O encontro ocorreu em meio a negociações entre EUA e Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia. Países europeus criticam os EUA de não incluir a Ucrânia nas conversas, tampouco outro país da UE como mediador.
Nos últimos dias, Trump e Zelensky também trocaram farpas públicas. Zelensky acusou Trump de estar preso em uma bolha de desinformação russa, por conta de seu alinhamento com Putin. Em resposta, o presidente americano chamou o ucraniano de “ditador sem eleições” e o pressionou a fechar o acordo de minerais ou “não restará a ele um país”.
Na quinta-feira, Trump se encontrou com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Durante entrevista coletiva conjunta, o presidente americano interrompeu uma fala do britânico.
Presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), recebe o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca em 28 de fevereiro de 2025.
REUTERS/Nathan Howard
Trump foge de ‘desculpas’ a Zelensky antes de reunião
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa em 27 de fevereiro de 2025
REUTERS/Kevin Lamarque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou responder a uma pergunta sobre se pedirá desculpas ao líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, por ter o chamado de ditador. Durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (27), ele afirmou ainda que a paz na Ucrânia pode não acontecer se não for negociada rapidamente.
As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, ao lado do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Trump confirmou que se reunirá com Zelensky na manhã de sexta-feira (28) para assinar um acordo sobre a exploração de minerais ucranianos.
O presidente norte-americano voltou a afirmar que o acordo será uma forma da Ucrânia devolver para os Estados Unidos os valores enviados ao país durante a guerra, nos últimos três anos.
Questionado se pediria desculpas a Zelensky por chamá-lo de ditador, Trump evitou responder e disse apenas ter “grande respeito” pelo ucraniano. Mais cedo, ao ouvir pergunta semelhante, brincou dizendo que não o chamou de ditador.
Ainda na coletiva, Trump disse que teve boas conversas com autoridades russas, incluindo Vladimir Putin. Segundo ele, é essencial que russos e ucranianos negociem um acordo para encerrar a guerra. Trump declarou acreditar que Putin “manterá a palavra” em um eventual tratado.
“Acho que vai ser uma paz duradoura. E eu penso que vai acontecer rapidamente. Se não acontecer rapidamente, talvez nunca aconteça”, afirmou.
O americano também defendeu que países europeus aumentem os investimentos em segurança e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Trump afirmou que apoia o princípio de defesa coletiva do tratado, que prevê que um ataque a qualquer país-membro deve ser respondido pelos demais. No entanto, ele disse acreditar que essa medida não será necessária. Na quarta-feira (26), o presidente descartou a entrada da Ucrânia na aliança militar.
Enquanto isso, o Keir Starmer também defendeu uma negociação que permita uma paz duradoura na região, mas sugeriu que medidas sejam adotadas para impedir que a Rússia volte a atacar outros países.
Para Starmer, o acordo de paz precisa ser “firme, mas justo” e sem recompensas ao “agressor”, em uma referência à Rússia.
O primeiro-ministro britânico disse ainda que 18 países da Europa se reunirão no próximo domingo (2), no Reino Unido, para debater a questão da Ucrânia.
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