Novas imagens mostram tiros e carro de jovens passando em rua antes deles morrerem em confronto com PM em Londrina


Imagens são analisadas pela Polícia Civil, que disse que o prazo de finalização do inquérito foi prorrogado. Advogada da família disse que os vídeos são importantes para esclarecer o que aconteceu e não acredita que houve confronto. Novas imagens mostram tiros e carro de jovens passando em rua antes deles morrerem
A Polícia Civil (PC-PR) teve acesso a novas imagens que mostram tiros e o carro dos jovens Kelvin Willian Vieira dos Santos, de 16 anos e Wender Natan da Costa Bento, de 20 anos, passando em uma rua antes de morrerem em um confronto com a Polícia Militar (PM-PR), em Londrina. Assista acima.
As mortes aconteceram no dia 15 de fevereiro e motivaram uma onda de manifestações violentas na cidade, com bloqueio de avenidas com objetos incendiados, ônibus apedrejados e queimados e suspensão do transporte público.
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Uma das imagens mostra o carro os jovens estavam, passando ao lado de um bar. Outra câmera registrou o carro prata passando e, segundos depois, a viatura da Polícia Militar surge passando em uma rua em meio a uma praça.
Em seguida, a viatura e o carro dos jovens seguem no mesmo sentido, sem sinal de perseguição.
Outras imagens são de uma câmera que registra áudio, que fica na rua onde ocorreram os disparos. Primeiro, o carro prata aparece e é acompanhado do carro da polícia. Quando os veículos saem do vídeo, é possível ouvir os disparos, os gritos e a frase “larga a arma”.
As imagens estão sendo analisadas pela Polícia Civil, que disse que o prazo de finalização do inquérito foi prorrogado.
Imagens estão sendo analisadas pela Polícia Civil.
Reprodução
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À RPC, o secretário de Segurança Pública, Hudson Teixeira, disse que tudo está sendo acompanhando pelo Ministério Público, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e os inquéritos ainda não foram concluídos.
“Tanto o inquérito da polícia civil quanto da polícia militar ainda não foram concluídos, para dar um posicionamento em relação a conduta dos policiais militares e das pessoas que estavam no carro”, disse o secretário.
O comandante da Polícia Militar, Jeferson Busnello, que assumiu recentemente o 2º Comando Regional, disse à RPC que fez uma reunião com as equipes do choque para avaliar as condutas dos oficiais e explicar a forma de trabalho na gestão dele.
“Os policiais tem que trabalhar, primeiramente, dentro da legalidade e, após isso, expliquei para eles que eles tem que ter bom senso e fazer o uso moderado da força”, explicou o comandante.
Conforme apurado pela RPC, os policiais envolvidos no caso ficaram trabalhando em funções administrativas por um período, seguindo um protocolo da Polícia Militar, mas já voltaram a trabalhar nas ruas.
A advogada que representa as famílias dos jovens, Iassodara Ribeiro, disse que os vídeos apresentados agora são importantes para ajudar a esclarecer o que aconteceu e que acredita que não houve confronto.
“O vídeo revelou que houve divergência no depoimento dos policiais em relação ao boletim de ocorrência”, manifestou a advogada.
Inquérito que apura mortes em confronto em Londrina tem prazo prorrogado
Quando as mortes ocorreram, Ministério Público pediu pela ampliação das investigações
Quando os jovens morreram durante a abordagem policial, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitou a ampliação das investigações. O pedido foi feito por meio da promotora de Justiça Susana Broglia Feitosa de Lacerda.
A RPC teve acesso a um documento que mostra que o pedido foi feito à Justiça um dia depois que os jovens morreram. A solicitação foi motivada pela família das vítimas, que acredita que houve excesso por parte dos policiais e diz que os jovens não estavam cometendo crimes quando foram baleados.
Wender e Kelvin foram mortos durante abordagem policial em Londrina
Reprodução
No documento de pedido de providências, a promotora fez quatro solicitações:
Elaboração dos croquis da trajetória dos projéteis nos corpos, assim como para consideração da distância que os disparos atingiram os corpos, sejam também levados em conta os vestígios das vestimentas que usavam;
Que os ferimentos, os corpos e as vestimentas fossem fotografadas;
Que a conclusão dos laudos de necropsia fossem informados para o Instituto Criminalística, a fim de subsidiar a elaboração eventual do laudo acerca da dinâmica dos fatos;
Que a Autoridade Policial buscasse e apreendesse imagens do local da ocorrência dos fatos.
Em outro documento, a advogada da família também pediu uma ampla investigação para apurar a conduta dos agentes e as circunstancias em que Kelvin e Wender foram mortos. Além disso, ela também requisitou um exame residuográfico de disparo de arma de fogo e exame balístico ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina.
Ministério Público pede ampliação de investigações de mortes durante abordagem policial
Confira o que se sabe sobre a abordagem:
Quem eram os jovens?
Onde a abordagem policial aconteceu?
O que a PM disse sobre a abordagem?
O que dizem as famílias dos jovens?
Quem eram os jovens?
Kelvin dos Santos, 16 anos, estudante do Ensino Médio
Wender da Costa, 20 anos
Os dois se conheciam porque trabalhavam juntos em um lava-rápido e em uma barbearia, que foi aberta há duas semanas pelo Wender.
De acordo com a família, no sábado, eles saíram de carro para pegar bebida em uma distribuidora após Kelvin celebrar o aniversário da sobrinha da mãe dele.
Câmera de segurança da distribuidora filmou os dois jovens comprando bebidas.
Reprodução/RPC
Onde a abordagem aconteceu?
Segundo o relatório da PM, a abordagem aconteceu por volta das 22h30, no dia 15 de fevereiro, na Rua Belmiro de Oliveira, no bairro Leonor, perto da BR-369.
O local fica perto do Jardim Nossa Senhora da Paz – popularmente chamado de Bratac – bairro em que Kelvin morava.
O que a PM disse sobre a abordagem?
Armas apreendidas no dia da abordagem, de acordo com a PM.
Eduardo Araújo/Londrina News
“Durante patrulhamento equipe Choque visualizou um veículo com as mesmas características do envolvido em furtos a residência. Na tentativa de abordagem houve reação por parte dos suspeitos, o que culminou em confronto armado. Sendo de pronto acionado socorro médico”, é o que consta no boletim divulgado pela PM.
No documento, também consta a informação de que quatro policiais participaram da abordagem e 18 disparos foram efetuados contra Kelvin e Wender.
Em entrevista à RPC, o capitão da PM, Emerson Castro, relatou que o carro em que Kelvin e Wender estavam bateu contra outro veículo.
“Segundo os policiais militares, quando direcionaram a viatura e passaram ao lado desse carro, eles viram que os ocupantes estavam empunhando armas de fogo”, disse.
O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram até o local e constataram a morte dos dois.
A PM informou ter apreendido duas armas. Não há informações sobre a procedência delas e se foram adquiridas pelos jovens.
A corporação também confirmou que o carro em que os jovens estava não tinha alerta de furto ou roubo. O veículo foi apreendido.
Carro em que os jovens estava foi apreendido.
Reprodução/RPC
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O que dizem as famílias dos jovens?
Vanessa e Sirlene, mães de Wender e Kelvin.
Reprodução/RPC
As mães, Vanessa e Sirlene, deram entrevistas questionando a versão apresentada pela PM. Elas afirmam que os filhos não tinham envolvimento com crimes e que houve excesso por parte dos policiais.
“Meu filho foi morto com dez tiros. Eu fui no IML [Instituto Médico Legal] e meu filho estava com dez tiros no corpo, só na região torácica”, disse Vanessa da Costa, mãe de Wender.
Ela também informou que os dois pegaram o carro emprestado para irem até a distribuidora. “Emprestou o carro errado, sim. Só para buscar essa bebida e ia voltar para o bairro”, contou.
Sirlene dos Santos disse que o filho, Kelvin, estudava e não usava drogas ou praticava crimes.
“Eu ensinei o Kelvin sempre a andar no caminho certo. Aí o Wender deu essa oportunidade para o meu filho. Ele estava tão feliz”, Sirlene relatou.
Londrina teve onda de protestos após o confronto
Londrina tem onda de protestos após confronto
Depois da morte de Kelvin e Wender, manifestações violentas foram registradas em Londrina. Um ônibus foi queimado e outros dois foram apredrejados.
Além disso, ao menos quatro avenidas bloqueadas por incêndios provocados. O Corpo de Bombeiros informou que recebeu chamados de 17 incêndios em regiões diferentes.
As empresas de transporte público chegaram a suspender temporariamente o serviço até que a situação fosse normalizada.
O secretário de Segurança Pública do Estado, Coronel Hudson Teixeira, viajou a Londrina e liderou operações para, de acordo com ele, “reestabelecer a ordem” na cidade, que não registrou mais manifestações violentas.
Na época, as quatro pessoas que foram presas durante as manifestações, foram soltas. De acordo com a Polícia Ciivil, três delas assinaram um termo de comparecimento em juízo e outra pagou fiança.
Outras seis pessoas envolvidas nas manifestações foram identificadas, mas ainda não foram encontradas.
Faixas usadas pelos manifestantes em Londrina.
Rogério Pinheiro/RPC
Noite de segunda-feira (17) registrou incêndio em ônibus e manifestações.
Rogério Pinheiro – RPC/PM-PR
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