Judiciário trabalha por inclusão no Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo 

No Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) reforça seu compromisso com a inclusão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação e na interação social, e pela presença de padrões de comportamento restritos e repetitivos.

No TJSC, a inclusão de pessoas com deficiência tem recebido um olhar especial. A instituição conta com a Secretaria de Acessibilidade e Inclusão, com a Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão e com programas como o PertenSer. Essas medidas formam uma rede de ações articuladas e multidisciplinares que buscam garantir suporte tanto para servidores e magistrados quanto para o público atendido pelo Judiciário catarinense.

O Tribunal também tem avançado na inclusão de pessoas com TEA. Policiais e recepcionistas que atuam no TJSC passaram por um treinamento especializado para acolher pessoas autistas e assim garantir um atendimento mais preparado e empático. Entre os temas abordados está a identificação do cordão de girassol, um símbolo internacional que indica deficiências ocultas como o TEA. O cordão sinaliza que a pessoa pode precisar de compreensão e suporte adicional e auxilia em evitar situações constrangedoras ou mal-entendidos.

Além disso, recentemente, o Poder Judiciário catarinense lançou o curso “Inclusão da Pessoa com Autismo no PJSC e Ferramentas para Inclusão e Atendimento da Pessoa Autista nas Unidades do PJSC” para capacitar servidores. O objetivo é ampliar o conhecimento, prestar um melhor atendimento aos cidadãos e colaboradores autistas e garantir um ambiente mais acessível e inclusivo.

“O TJSC tem realizado palestras, eventos e campanhas de sensibilização para ampliar o entendimento sobre o TEA, reduzindo barreiras atitudinais e promovendo um atendimento mais humanizado. Acreditamos que a verdadeira mudança acontece por meio da eliminação das barreiras atitudinais em relação à pessoa com deficiência”, diz Rodrigo Lima, coordenador da Secretaria de Acessibilidade e Inclusão do TJSC.

Para marcar o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, o Núcleo de Comunicação Institucional (NCI) do TJSC conversou com Micheline Rosa Peixoto, servidora do Judiciário catarinense e mãe de duas crianças autistas: Arthur, que faleceu em 2019, e João, de cinco anos. “Minha história com o autismo começou em 2001, quando fui apresentada ao Arthur, filho do meu marido, na época meu namorado. O Arthur era nível três de suporte e, ao longo de 15 anos, estive presente em sua vida de maneira integral”, conta Micheline. Logo após a perda de Arthur, nasceu o João, que, por volta de um ano de idade, começou a apresentar sinais do espectro, posteriormente confirmados pelo diagnóstico.

A servidora, que atua como chefe da Divisão de Gestão Documental Digital, ressalta a importância de uma rede de apoio que envolva família, escola e toda a comunidade. “É um desafio que não se enfrenta sozinho. Se estou aqui trabalhando, é porque tem alguém cuidando do João. Hoje, por exemplo, meu marido não está trabalhando porque alguém precisa acompanhar o dia a dia dele”, explica.

Micheline também destaca os desafios diários enfrentados por famílias de autistas, especialmente aqueles com alta sensibilidade a estímulos. “Em ambientes como a escola, ele pode sofrer sobrecarga sensorial e acabar se desregulando. Ele precisa de acompanhamento terapêutico para aprender a se autorregular e lidar com essa dificuldade”, afirma.

Situações cotidianas, como o barulho do chuveiro ou do micro-ondas, podem desestabilizá-lo completamente. Além disso, a previsibilidade na rotina é essencial, pois qualquer mudança pode gerar grande desconforto. Diante desses desafios, Micheline reforça a importância da conscientização sobre o autismo para que a sociedade compreenda melhor as necessidades das pessoas no espectro. 

Entenda um pouco mais

O TEA é classificado em três níveis de suporte:

Nível 1: Requer suporte. Dificuldades na comunicação social e na flexibilidade comportamental podem causar impactos em algumas atividades cotidianas, mas o indivíduo consegue lidar com adaptações mínimas.

Nível 2: Requer suporte substancial. Apresenta dificuldades mais evidentes na interação social e padrões de comportamento mais restritos e repetitivos, tornando a adaptação mais desafiadora.

Nível 3: Requer suporte muito substancial. Apresenta dificuldades graves na comunicação verbal e não verbal, com comportamentos altamente restritivos e resistência intensa a mudanças, impactando significativamente a vida cotidiana.

Fonte:  NCI/Assessoria de Imprensa

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