Transamazônica de atoleiros, abandono e vergonha: MPF cobra Dnit

A Transamazônica, uma das obras mais ambiciosas do regime militar na década de 1970, deveria integrar a Amazônia ao restante do país. No entanto, mais de meio século depois, essa promessa se transformou em uma vergonha nacional. Enquanto o trecho entre Marabá e Altamira conta com asfalto – e ainda assim repleto de problemas –, o restante da BR-230 se dissolve em lama durante o inverno amazônico, tornando-se uma armadilha mortal para quem se arrisca a trafegar por ela.

Moradores, caminhoneiros e produtores rurais enfrentam uma rotina de sofrimento na rodovia que, ironicamente, deveria impulsionar o desenvolvimento da região. O trecho entre Medicilândia e Rurópolis, no Pará, simplesmente desaparece sob imensos atoleiros a cada temporada de chuvas. Caminhões atolam por dias, ônibus ficam presos no meio do nada e comunidades inteiras ficam isoladas, sem acesso a produtos básicos e atendimento médico.

Diante do caos, o Ministério Público Federal (MPF) cobrou do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) explicações urgentes sobre a situação da estrada. Na quinta-feira (27), o MPF requisitou justificativas para a situação precária da rodovia, após receber denúncias que contradizem completamente os relatórios apresentados pelo próprio Dnit.

As mentiras e maquiagens do DNIT

Não é a primeira vez que essa situação ocorre. Em 2024, ainda antes do início do período chuvoso, o MPF já havia alertado o Dnit sobre a necessidade de ações preventivas para evitar atoleiros, erosões e crateras. Na ocasião, o órgão respondeu que possuía contratos em vigor para a manutenção contínua da via, garantindo a trafegabilidade mesmo sob chuvas.

Fotografias enviadas mostravam equipes supostamente atuando no local. Mas a realidade nas redes sociais e nos vídeos compartilhados pelos próprios motoristas mostra outra história: a rodovia se transformou em um lamaçal intransitável.

A indignação cresce diante do contraste entre os documentos oficiais e as denúncias da população. O MPF agora exige que o Dnit forneça, em até cinco dias:

Explicações sobre a discrepância entre seus relatórios e as denúncias;

Fotografias atualizadas da rodovia durante as chuvas;

Informações detalhadas sobre as ações da empresa contratada para reduzir os atoleiros;

Dados sobre a periodicidade dos serviços de manutenção.

Além disso, uma inspeção urgente será realizada pelo MPF para verificar de perto o desastre que se tornou a Transamazônica. Mas a pergunta que fica é: até quando o governo federal seguirá tratando essa rodovia como um problema invisível?

O abandono da BR-230 não é apenas um descaso com a infraestrutura, mas um golpe contra milhares de pessoas que dependem dessa estrada para viver e trabalhar.

Enquanto as autoridades fingem resolver o problema, a Transamazônica continua sendo um símbolo vergonhoso do descaso com a Amazônia e seu povo.

IMAGENS EM OUTRO TRECHO DA RODOVIA

The post Transamazônica de atoleiros, abandono e vergonha: MPF cobra Dnit appeared first on Ver-o-Fato.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.