Paciente resgatada de cárcere privado em clínica particular no Paraná fazia necessidades em balde: ‘Local insalubre’, diz delegado


Das 21 mulheres que estava no local, cinco foram resgatadas em situação de cárcere privado, segundo a polícia. Gerente da clínica foi preso em flagrante. Caso aconteceu em Antonina, no litoral. Vigilância em Saúde de Antonina decide interditar clínica de reabilitação
Uma paciente de 22 anos, resgatada em situação de cárcere privado em uma clínica particular de reabilitação de Antonina, no litoral do Paraná, foi mantida em um quarto irregular, algemada e fazia as necessidades fisiológicas em baldes, segundo o delegado Emmanuel Lucas Moura.
“Havia dois baldes com fezes e urina, então, essa paciente estaria fazendo as necessidades fisiológicas nesses baldes e estava se limpando com edredom da cama. Além disso, ela relatou que teria sido algemada por, pelo menos, três dias […] Vimos que era um local insalubre, sem ventilação adequada”, relatou.
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Ao todo, 21 mulheres estavam na clínica Adonai, e cinco estavam sem os documentos necessários que comprovam que estavam internadas de forma voluntária e isso, para a polícia, caracteriza crime de cárcere privado.
O g1 tenta contato com a clínica.
Segundo o delegado, o local, que se apresentava como centro de tratamento para pessoas com dependência química, não era clandestino.
Uma ex-paciente, que não quis se identificar, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) contra a clínica e contou à RPC que as pacientes que tinham mau comportamento eram levadas para o lugar chamado “quarto zero” como forma de punição.
“As meninas que se recusavam a fazer algum serviço, se recusavam a fazer faxina, alguma coisa assim, eram mantidas ali”, relatou.
O gerente da clínica, que se apresentava como responsável pelo funcionamento da clínica, foi preso em flagrante por indícios de cárcere privado. O nome dele não foi divulgado.
Segundo o delegado, o gerente relatou que usou algemas hospitalares para conter as pacientes. Contudo, a polícia encontrou algemas policiais no local.
O gerente foi autuado por cárcere privado e encaminhado para a delegacia, onde permanece preso. A tipificação penal pode ser alterada posteriormente, caso seja constatado outro crime, segundo o delegado.
Os sócios da clínica também serão investigados.
Cinco mulheres são resgatadas de cárcere privado em clínica particular de reabilitação em Antonina
PCPR
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Outras irregularidades
Durante a fiscalização, o coordenador da Vigilância e Saúde de Antonina, Carlos Eduardo de Abreu Calixto, explicou que foram constatadas diversas irregularidades, como falta de assinaturas de permissão de tratamento das próprias pacientes e cadeados.
“Nós verificamos também que é proibido pela legislação cadeados, que foram encontrados em vários pontos da clínica”, explicou.
Calixto disse também que não consta na descrição de funcionamento do estabelecimento o quarto onde a paciente estava trancada.
Clínica foi interditada
Reprodução/RPC
Local foi interditado
Na quarta-feira (26), a vigilância sanitária interditou o local.
As vítimas estão sendo acompanhadas pela Assistência Social de Antonina e foram entregues às respectivas famílias, conforme a polícia.
As demais, segundo a vigilância, são de responsabilidade da clínica, que devem ser realocadas.
A RPC apurou que a mensalidade da clínica era em torno de R$ 2 a R$ 3 mil, dependendo do tratamento escolhido.
As investigações continuam para apurar eventuais responsabilidades de outras pessoas envolvidas e para aprofundar os relatos de maus-tratos sofridos por outras internas.
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PCPR
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