Como a China digitalizou a sua economia em apenas 30 anos

Atualmente, a China é um dos países com maior nível de digitalização da economia. Um processo que durou três décadas e exigiu muito planejamento e investimentos na busca de aplicações tecnológicas que permitam a inclusão e o acesso amplo, melhorando a vida da população nas áreas urbanas e rurais.

O resultado destes esforços é nítido. Os chineses já estão na vanguarda de áreas como a inteligência artificial e a disseminação das novas gerações de redes de internet móvel, competindo com empresas dos Estados Unidos.

Atualmente, 100% das cidades chinesas têm cobertura da rede 5G

Em entrevista ao Jornal da Unicamp, Qiu Zeqi, professor da Universidade de Pequim, explicou que a digitalização da China é amparada, principalmente, no tripé disponibilidade de infraestrutura, difusão das aplicações tecnológicas e resultados eficientes. Desde que o país se conectou à internet, em 1994, o governo chinês criou políticas públicas para fomentar o desenvolvimento do setor digital. Uma delas foi a criação de um grupo para tratar da informatização, dentro do Conselho de Estado, em 1996.

Em 2023, a economia digital representava 42% do Produto Interno Bruto (PIB) da China, um movimento crescente com impactos em todas as esferas da sociedade, abrangendo o produtor agrícola, o usuário doméstico, as empresas, os governos e a internet das coisas.

Rede móvel 5G
5G se tornou a principal infraestrutura de serviço de conexão na China (Imagem: MARHARYTA MARKO/iStock)

Como consequência, grandes empresas do setor tecnológico nasceram no país, na criação e no desenvolvimento de produtos, na prestação de serviços, no comércio eletrônico e em redes de telecomunicações, entre outros. Atualmente, 100% das cidades chinesas têm cobertura da rede 5G, alcançando 71% dos cidadãos chineses, enquanto apenas 51% da população mundial está conectada a essa tecnologia de redes móveis.

O 5G se tornou a principal infraestrutura de serviço de conexão na China. A cobertura total com alta velocidade e custo acessível é a principal política do governo chinês. É por isso que a inclusão é a base da política da digitalização da China.

Qiu Zeqi, professor da Universidade de Pequim

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Logo do DeepSeek em um smartphone; ao fundo, parte da bandeira da China desfocada
Lançamento do DeepSeek faz parte dos esforços chineses (Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock)

IA pode preencher lacunas que ainda existem

  • No âmbito governamental, mais de um bilhão de cidadãos chineses são usuários das plataformas digitais do governo, que disponibiliza mais de 10 mil serviços online.
  • Apesar dos números impressionantes, ainda são necessárias melhorias.
  • Para Qiu, as províncias do leste da China estão mais à frente nesse processo de digitalização em relação às do oeste.
  • Mas a chegada do DeepSeek e os investimentos pesados em inteligência artificial podem impulsionar ainda mais os chineses tecnologicamente.
  • O professor destacou que, atualmente, há iniciativas na China empregando a IA para integrar as diversas formas de medicina tradicional chinesa com a medicina moderna e para melhorias no transporte inteligente, com veículos autônomos e gestão do tráfego para redução de acidentes e aumento da eficiência, proporcionando contribuições significativas para as cidades inteligentes.

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