Heloísa Teixeira morre, aos 85 anos, no Rio de Janeiro


Ela era escritora, professora, crítica literária e membro da Academia Brasileira de Letras. Heloísa Teixeira morre, aos 85 anos, no Rio de Janeiro
Reprodução/TV Globo
Morreu nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, aos 85 anos, a escritora Heloísa Teixeira, integrante da Academia Brasileira de Letras.
Era uma mulher sempre conectada com o que viria pela frente. Formada em Letras Clássicas, foi no avesso de qualquer tradição que ela se encontrou.
“A questão do feminismo é uma lente que você põe no olho e não sai mais, você bota aquela lente e você vê, em todos os lugares você vai perceber que ali tem machismo, a gente tem que estar muito atento para controlar e mudar isso”, disse Heloísa Teixeira no programa “Diálogos com Mario Sergio Conti” em 23 de junho de 2023.
Heloísa Teixeira passou a pesquisar o movimento feminista ainda nos anos 1960.
“Naquela época, era muito difícil você se identificar com o feminismo. A esquerda era contra, a igreja era contra. A ditadura era contra, óbvio”.
Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Heloísa intelectual também frequentava a periferia. Em 2009, criou o projeto Universidade das Quebradas, um diálogo entre artistas e produtores locais com a comunidade acadêmica.
Em 2023, Heloísa se tornou a 10ª mulher a virar imortal na Academia Brasileira de Letras. Ela passou a ocupar a cadeira número 30, que era de Nélida Piñon. Para quem viveu quebrando barreiras e lutando por espaço para as mulheres, a posse de Heloísa não poderia ter sido diferente: foi uma conquista inédita feminina.
“Em 126 anos da academia, é a primeira vez que uma mulher sucede uma mulher, para você ver o quão poucas nós somos. São um total de dez mulheres para um total de 339 homens. Absurda essa percentagem”, afirmou Heloísa Teixeira.
Na cerimônia de posse, Heloísa apresentou o novo nome, sem o Buarque de Hollanda:
“Estou me sentindo, nesse momento, com uma responsabilidade enorme como mulher. Então, não fazia muito sentido ter o sobrenome do marido. E aí também não quis o do pai. E aí foi o da minha mãe. Minha mãe está aqui juntinho comigo, e a gente vai lutar junta”, disse Heloísa Teixeira.
Heloísa Teixeira estava internada desde a semana passada e morreu de complicações de uma pneumonia e insuficiência respiratória aguda. Ela deixa um legado imenso.
“Heloísa não tinha marras, ela tinha vontades, paixões, alegre”, comenta o presidente da Academia de Letras, Merval Pereira.
“Heloísa foi essencialmente revolucionária, daí a desolação hoje, o luto, em tantas áreas do Brasil”, afirma Rosiska Darcy, integrante da ABL.
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